Foram dois anos de trabalho
e agora o estudante e morador de Araraquara (SP)
Ygor Requinha Romano pode apresentar sua invenção. O jovem de 18 anos criou uma
máquina de tratamento de água que funciona com energia solar e elétrica, não
precisa de manutenção e custa menos de R$ 1 mil. O
equipamento, premiado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia da
Universidade de São Paulo (Febrace), vai ser apresentado nos próximos dias na
Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel ISEF), uma das
maiores competições para estudantes pré-universitários do mundo.
Como
detalhou o jovem, o protótipo tem capacidade para atender até 50 pessoas e foi
pensado para ajudar aqueles que sofrem com a falta de água potável, como
populações ribeirinhas da região Norte do país. “Eu espero fazer através da
ciência algo que ultrapasse minha capacidade física de ajudar alguém. Um mundo
melhor só vai existir quando as pessoas fizerem algo melhor por outras
pessoas”.
Experiência
O jovem chegou à cidade há dois meses. Ele morava em Rondônia e trouxe a essência da falta de água vivenciada lá. “As pessoas não têm água tratada, o comum é ter um poço artesiano que custa cerca de R$ 10 mil. Com isso, muita gente consome água de rios, 94% das pessoas na região não têm esgoto e muito menos água tratada e isso acarreta a mortalidade infantil, infelizmente”.
O jovem chegou à cidade há dois meses. Ele morava em Rondônia e trouxe a essência da falta de água vivenciada lá. “As pessoas não têm água tratada, o comum é ter um poço artesiano que custa cerca de R$ 10 mil. Com isso, muita gente consome água de rios, 94% das pessoas na região não têm esgoto e muito menos água tratada e isso acarreta a mortalidade infantil, infelizmente”.
Outra
inspiração foi a natureza. Para ganhar uma renda extra, ele e a mãe começaram a
trabalhar como ajudantes de floristas. Com isso, o estudante percebeu uma
semelhança entre o que estava estudando e as flores. “A anatomia das flores, as
pétalas, tem que dissipar o calor”. O protótipo também é fruto
da curiosidade de Ygor, que cresceu montando e desmontando brinquedos para
entender a lógica de funcionamento. “O extinto de saber por que as coisas
acontecem sempre foi muito grande”, relatou.
“Nunca
fui aquele aluno exemplar, as aulas me entediavam, mas sempre fui interessado,
queria aproveitar ao máximo o conhecimento do professor e isso é complicado em
escola pública, já cheguei a ficar nervoso por conta da bagunça dentro da sala
de aula”, disse.
Solidariedade
O zelador da escola em que o adolescente estuda em Araraquara foi a peça final do quebra-cabeças do projeto. O homem tinha uma serralheria em casa e ajudou o jovem com todos os custos.
O zelador da escola em que o adolescente estuda em Araraquara foi a peça final do quebra-cabeças do projeto. O homem tinha uma serralheria em casa e ajudou o jovem com todos os custos.
“Ele
já tinha passado por situações precárias durante a infância por conta da falta
de água, acho que foi isso que o estimulou para que me ajudasse tanto”, contou.
“Trabalhei das duas da tarde até as duas da manhã por vários dias. Ele é um
engenheiro nato, tem brilho nos olhos, aprendi como ser um ser humano bom com
ele”.
Para
o futuro, Ygor planeja mais estudos. Quer cursar engenharia física na
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ou ir para Harvard. “Estou bastante
feliz com a oportunidade de viajar para os Estados Unidos, vou representar o
Brasil, existe uma cobrança, um patriotismo. Preciso dar o meu melhor”, afirmou
um dia antes de embarcar para Feira.
G1

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