As pessoas infectadas
pelo parasita que causa a elefantíase teriam o dobro do risco de contrair o
vírus HVI, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (3) pela revista
médica britânica "The Lancet". O parasita Wuchereriabancrofti é
responsável por 90% dos casos de filariose linfática, conhecida como
elefantíase, que deforma os membros e outras partes do corpo. A doença
tropical, transmitida por mosquitos, afeta principalmente várias regiões da
África, onde os índices de infecção por HIV são altos.
O parasita, que pode
viver no sistema linfático humano durante anos sem provocar sintomas, também é
endêmico na Ásia, no Pacífico ocidental e em partes do Caribe e da América do
Sul. "A longa duração da doença causada pela W. bancrofti - cerca de 10
anos - cria uma resposta imune contínua", o que poderia tornar as pessoas
mais suscetíveis à infecção pelo HIV, disse Inge Kroidl, especialista em
medicina tropical da Universidade de Munique, na Alemanha, e coautor do estudo.
O estudo foi
realizado entre 2006 e 2011 com 2.699 habitantes do bairro Kyela da cidade de
Mbeya, no sudeste da Tanzânia. A filariose linfática afeta uma entre quatro
pessoas deste país, e durante muito tempo se suspeitou que era um dos fatores
determinantes da epidemia de HIV na África subsaariana.
Os participantes
foram examinados anualmente durante cinco anos, e foram recolhidas amostras de
sangue, urina, fezes e saliva para fazer testes de HIV e de infecção pelo
Wuchereriabancrofti. Também foram feitas entrevistas para determinar se a
atividade sexual dos participantes podia ter aumentado seu risco de contrair o
HIV.
Os cientistas
constataram que as pessoas portadoras do parasita tinham o dobro de
possibilidades de ter também o vírus da aids. O impacto era maior entre os
adolescentes e os adultos jovens. Por enquanto, porém, a ligação observada se
trata de uma correlação, e não de uma relação de causa e efeito provada,
afirmaram os pesquisadores. O estudo evidencia, no entanto, a necessidade de
curar a elefantíase.
"Os programas de
eliminação da filariose linfática na última década focaram na redução da
transmissão, mas fizeram esforços limitados para curar a infecção", afirma
Kroidl. Mais de 120 milhões de pessoas estão infectadas no mundo,
principalmente nos países pobres da África e da Ásia, segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS).
Atualmente, a
prevenção se baseia no uso de redes de proteção contra mosquitos e outros
métodos repelentes. Em um comentário na "The Lancet", Jennifer Downs
e Daniel Fitzgerald, da Universidade Cornell, em Nova York, ressaltaram a
urgência de se realizar outros estudos para confirmar os resultados e avaliar o
efeito do tratamento da elefantíase na incidência de infecção pelo HIV nas
comunidades afetadas.
A filariose linfática
é classificada pela OMS como uma das cerca de 20 "doenças tropicais
negligenciadas" que afetam coletivamente mais de um bilhão de pessoas nos
países em desenvolvimento.
Globo. Com

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