Os
membros da comissão especial que emitirá parecer sobre o pedido de impeachment Os
membros da comissão especial que emitirá parecer sobre o pedido de impeachment
formulado contra Dilma Rousseff serão eleitos pelo plenário da Câmara nesta
terça-feira (8), em votação secreta. Unidos à oposição, dissidentes de partidos
governistas, todos favoráveis ao afastamento da presidente, decidiram compor
uma chapa alternativa para disputar com a oficial, composta de deputados
escalados pelos líderes partidários, sob a supervisão do Palácio do Planalto.
O anonimato potencializa as chances de
vitória dos rivais de Dilma, já que o voto sigiloso protege seus autores de
eventuais retaliações do governo. O objetivo dos dissidentes é o de eleger pelo
menos 33 dos 65 integrantes da comissão. Se isso acontecer, o bloco
pró-impeachment será majoritário, podendo escolher na sequência o presidente do
colegiado. Que terá poderes para indicar o relator do parecer sobre o
impeachment.
Desafeto de Dilma, o presidente da
Câmara, Eduardo Cunha, invoca o regimento interno da Casa para lançar mão do
voto secreto. Está previsto no artigo 188, parágrafo terceiro. Anota que a
votação secreta será usada para a eleição do presidente e demais membros da
Mesa Diretora da Câmara e integrantes de comissões permanentes e temporárias da
Casa.
Deve-se a formação da chapa paralela a
uma reação dos dissidentes governistas à pretensão dos líderes partidários e do
Planalto de excluí-los da comissão do impeachment. O motim nasceu no PMDB, cujo
líder, Leonardo Picciani (RJ), entregou a si próprio e a outros deputados
contrários ao impeachment todos os oito assentos da
legenda na comissão especial. Irritados, os peemedebistas anti-Dilma se juntaram
à oposição e indicaram para o chapão alternativo oito nomes favoráveis ao
impeachment.
Informados sobre a sublevação
peemedebista, descontentes de outras legendas governistas, todos de nariz
torcido para Dilma, se juntaram à ‘Chapa do B’. Espera-se que a lista final
contenha, além dos nomes de peemedebistas, candidatos de partidos como PP, PSD
e PTB. A eleição dos membros da comissão, que deveria ter ocorrido na noite
passada, foi adiada para esta terça-feira. Em vez da chapa única, haverá pelo
menos duas. No lugar da ausência de disputa, uma guerra. Para desassossego de
Dilma, uma guerra no escuro, sob o manto do voto secreto.
Para permitir a disputa, Eduardo Cunha adiou a votação para esta terça. Fez isso a
despeito de ter anunciado na semana passada que o prazo final para a
apresentação dos nomes dos integrantes da comissão expiraria às 18h desta
segunda-feira. Estimulado pelo Planalto, o PT cogita recorrer ao
STF contra o que chama de golpe parlamentar.
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